{"provider_url": "https://www.divinopolis.mg.leg.br", "title": "Lembran\u00e7as do Carnaval em Divin\u00f3polis", "html": "<p><span>Nesse ano de 2024, a folia carnavalesca cair\u00e1 no meio do m\u00eas de fevereiro, marcado para os dias 10, 11, 12 e 13, contando s\u00e1bado, domingo, segunda e ter\u00e7a-feira. No dia 03 de fevereiro acontece em Divin\u00f3polis o Pr\u00e9-Carnaval que mobilizar\u00e1 milhares de foli\u00f5es e movimentar\u00e1 a economia do munic\u00edpio. O escritor e produtor cultural Osvaldo Andr\u00e9 de Melo publicou um texto que destaca o carnaval do passado recente e que deixou muitas lembran\u00e7as e faz parte da hist\u00f3ria da cidade. A C\u00e2mara Municipal de Divin\u00f3polis reproduz o texto do escritor e ex-secret\u00e1rio municipal de cultura como forma de destacar uma p\u00e1gina importante da hist\u00f3ria de Divin\u00f3polis.</span></p>\r\n<p>\u00a0</p>\r\n<p>Texto: Osvaldo Andr\u00e9:</p>\r\n<p><br />\u201cAp\u00f3s as batalhas de confete e serpentina, no largo da Matriz, desciam pela Avenida 1\u00b0 de Junho os blocos. Em muitos, havia a participa\u00e7\u00e3o de carros da \u00e9poca.</p>\r\n<p>Os blocos eram e s\u00e3o a tradi\u00e7\u00e3o carnavalesca de Divin\u00f3polis.</p>\r\n<p>O Bloco Tupy ou o Bloco do Non\u00f4 era o mais democr\u00e1tico: acolhia a bela prostituta Dorot\u00e9ia, ainda viva. Acolhia os foli\u00f5es homossexuais, como o alfaiate Marinho.</p>\r\n<p>Non\u00f4 veio de S\u00e3o Jo\u00e3o D'el Rei, polo moveleiro. Abriu aqui f\u00e1brica de m\u00f3veis e quebrou, por investir o que n\u00e3o podia na folia. Ele sa\u00eda como um Mestre Sala e Dona Oralda era a sua Porta Bandeira.</p>\r\n<p>Mas, a\u00ed, j\u00e1 chegamos \u00e0 \u00e9poca dos Gr\u00eamios Recreativos Escolas de Samba. Ivan Silva, quando ocupou o cargo de cerimonialista, de confian\u00e7a, na gest\u00e3o Ant\u00f4nio Martins, promoveu a passagem dos blocos a escolas de samba. Como as escolas eram artificiais, a prefeitura dava uma verba para subsidiar fantasias, abre-alas etc.</p>\r\n<p>Mesmo j\u00e1 sob o novo status, escola, quando rompia na avenida, o povo anunciava: \"Env\u00e9m o bloco do Non\u00f4.\"<br />A escola mais rica era a Estrela do Oeste.</p>\r\n<p>Mas a riqueza maior estava na Escola Tupy, a destaque Helena Alvim, que confeccionava as pr\u00f3prias fantasias (que existem, todas elas).<br />Quando se aproximava a folia, Non\u00f4 vinha \u00e0 minha casa com rabiscos (que ainda tenho), que eu transformava em roteiros.<br />Tio Nelson era o Rei Momo. Neneca Mattar, bel\u00edssima, a Rainha transgressora: casada, divorciada representava a personagem das solteiras.</p>\r\n<p>No meu arquivo fotogr\u00e1fico implac\u00e1vel, mas desorganizado, tenho essas imagens todas. Inclusive, o Boi do Sabino, que assustava a meninada e que o pintor Bax reverenciou num poema.<br />Na primeira Semana de Arte, que botou pra fora da toca manifesta\u00e7\u00f5es eruditas e populares, no in\u00edcio dos 60, a sambista Valdete Viriato contornou a Pra\u00e7a do Santu\u00e1rio com a sua escola Os Metralhas. <br />Valdete, compositora e sambista, est\u00e1 viva.</p>\r\n<p>Eu sa\u00ed como destaque da Escola do Non\u00f4, no seu primeiro ano: Colombina Neneca, Arlequim Ivan Silva e Pierr\u00f4 Osvaldo Andr\u00e9.<br />Teve a \u00e9poca do sangue do diabo, do lim\u00e3o de cheiro, do lan\u00e7a perfume; e a \u00e9poca de jogar \u00e1gua nos foli\u00f5es.<br />Do espa\u00e7o p\u00fablico, o carnaval migrou para os clubes, o auge das marchinhas. O mais famoso baile popular era o \"Vem c\u00e1, brotinho\", na esquina da Rua S\u00e3o Paulo com Avenida 1\u00b0 de Junho. Mas essa hist\u00f3ria quem conta \u00e9 Hilda Pardini, foli\u00e3; ela e as irm\u00e3s burlavam o porteiro com apenas um convite.\u201d</p>", "author_name": "Dircom - CMD", "version": "1.0", "author_url": "https://www.divinopolis.mg.leg.br/author/Dircom - CMD", "provider_name": "C\u00e2mara Municipal", "type": "rich"}